Ria Formosa

Património Natural

Um território único entre a terra e o mar

A Ria Formosa é um dos mais importantes sistemas lagunares do sul de Portugal e um dos grandes patrimónios naturais do Algarve.

Estende-se ao longo de cerca de 60 quilómetros, entre a península do Ancão e a Manta Rota, abrangendo os concelhos de Loulé, Faro, Olhão, Tavira e Vila Real de Santo António. O Parque Natural ocupa uma área de cerca de 18 000 hectares, incluindo áreas terrestres e submersas.

Separada do Oceano Atlântico por um sistema dinâmico de ilhas-barreira, a Ria Formosa integra cinco ilhas-barreiraBarreta ou Deserta, Culatra, Armona, Tavira e Cabanas — e duas penínsulas — Ancão e Cacela.

Neste território encontram-se dunas, praias, sapais, bancos de areia e de vasa, salinas, lagoas de água salobra, cursos de água, áreas agrícolas e zonas de vegetação mediterrânica, formando um mosaico de habitats de extraordinária riqueza.

Mapa do Parque Natural da Ria Formosa, do Ancão a Cacela, com ilhas-barreira, estradas e seis pontos de interesse numerados.
Fonte: ICNF - Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas

Um património natural protegido

A proteção da Ria Formosa tem uma longa história.

A Reserva Natural da Ria Formosa foi criada pelo Decreto n.º 45/78, de 2 de maio. Em 1987, o Decreto-Lei n.º 373/87, de 9 de dezembro, criou o Parque Natural da Ria Formosa, com o objetivo de preservar e conservar o sistema lagunar, a sua flora, a sua fauna, as espécies migratórias e os respetivos habitats.

A importância internacional deste território é também reconhecida pela Convenção de Ramsar, encontrando-se a Ria Formosa classificada como zona húmida de importância internacional desde 24 de novembro de 1980.

A Ria integra igualmente a Rede Natura 2000, nomeadamente através da Zona de Proteção Especial Ria Formosa e da Zona Especial de Conservação Ria Formosa/Castro Marim.

A conservação deste património procura conciliar a proteção da natureza com a valorização do património cultural e com o desenvolvimento sustentável das atividades tradicionais, do turismo, do recreio e do lazer.

Uma paisagem de grande diversidade

A Ria Formosa é um sistema em permanente transformação, marcado pelo ritmo das marés e pela interação entre a terra e o mar.

Vista aérea da Ria Formosa: praia e dunas da ilha-barreira à esquerda, canais serpenteantes entre sapais e bancos de areia, povoação ao fundo.

Dunas

As dunas costeiras desempenham um importante papel na proteção do litoral. A vegetação que nelas se desenvolve está adaptada a condições exigentes, como os ventos fortes, a salinidade, a escassez de água e a mobilidade das areias.

Espécies como o estorno (Ammophila arenaria), a morganheira-das-praias (Euphorbia paralias), o cardo-marítimo (Eryngium maritimum) e o narciso-das-areias (Pancratium maritimum) fazem parte da vegetação característica deste ambiente.

Sapais

Os sapais constituem um dos habitats mais importantes da Ria Formosa. Periodicamente cobertos e descobertos pelas marés, são zonas de elevada produtividade biológica.

As águas pouco profundas e ricas em nutrientes proporcionam condições favoráveis à reprodução e ao desenvolvimento de numerosas espécies marinhas. A Ria desempenha, assim, uma importante função de viveiro natural para peixes, moluscos e crustáceos.

Vegetação mediterrânica

Nas zonas continentais encontram-se áreas de pinhal e manchas de vegetação mediterrânica, onde podem observar-se espécies como o pinheiro-bravo, o pinheiro-manso, o sobreiro, o medronheiro e o zambujeiro.

A estas juntam-se numerosas espécies arbustivas e aromáticas, contribuindo para a diversidade florística característica do litoral algarvio.

Um refúgio para a avifauna

A diversidade de habitats da Ria Formosa proporciona condições excecionais para a vida animal, sendo particularmente notável a sua riqueza em aves.

Numerosas aves aquáticas migratórias utilizam a Ria como local de invernada ou como ponto de repouso e alimentação durante as suas rotas migratórias. Entre as espécies de maior interesse encontram-se o camão ou galinha-sultana (Porphyrio porphyrio), o Flamingo grande (Phoenicopterus roseus), a garça-branca-pequena (Egretta garzetta), o colhereiro (Platalea leucorodia), a cegonha-branca (Ciconia ciconia) e a andorinha-do-mar-anã ou chilreta (Sternula albifrons).

O camão é uma das espécies emblemáticas do Parque Natural, enquanto a andorinha-do-mar-anã utiliza as praias, dunas e ilhas-barreira para nidificar.

A Ria é igualmente importante para numerosas espécies de peixes, moluscos e crustáceos, sobretudo como zona de reprodução e alimentação. O ICNF identifica 65 espécies de peixes, entre sedentárias, ocasionais e migradoras-colonizadoras.

Entre as espécies de interesse económico encontram-se a dourada (Sparus aurata), o sargo (Diplodus sargus), o robalo (Dicentrarchus labrax), o linguado (Solea senegalensis) e a enguia (Anguilla anguilla).

Três flamingos alimentam-se de cabeça baixa em água pouco profunda e calma, com luz dourada e reflexos rosados na água.

Mar, pesca e atividades tradicionais

A relação entre as comunidades locais e a Ria Formosa é antiga e profunda.

A pesca, a mariscagem, a salicultura, a aquacultura e a agricultura fazem parte da história e da identidade económica e cultural deste território.

A criação de bivalves, nomeadamente a amêijoa-boa, a mariscagem nos bancos naturais e a produção de sal continuam a representar atividades características da Ria.

As salinas, para além da sua importância económica e cultural, desempenham uma importante função ecológica, proporcionando áreas de alimentação e repouso para numerosas aves.

Estas atividades tradicionais constituem uma expressão da relação secular entre as populações e o sistema lagunar e fazem parte da própria identidade da Ria Formosa.

Cinco mariscadores curvados apanham marisco na vasa, na maré baixa e em contraluz, com baldes de plástico e barcos pequenos ao fundo.

História e património

A Ria Formosa é também um território de grande riqueza histórica e cultural.

A presença humana nesta região remonta a tempos muito antigos, tendo o território conhecido a presença de diferentes povos e civilizações. Os vestígios arqueológicos testemunham a importância que a região assumiu ao longo dos séculos.

A presença romana deixou marcas particularmente significativas, enquanto a ocupação islâmica se encontra refletida na organização dos aglomerados populacionais, na arquitetura, na toponímia e nos vestígios arqueológicos.

Durante os séculos XVI a XVIII, a pesca do atum e da sardinha e o comércio do sal contribuíram para o desenvolvimento dos arraiais piscatórios. Entre as antigas armações de pesca da Ria Formosa encontrava-se a do Livramento, na Fuzeta, testemunho da importância histórica da atividade piscatória na comunidade local.

O património cultural da região inclui fortalezas, torres de vigia, igrejas, capelas, moinhos de maré, noras, quintas rurais e outros elementos que refletem a longa relação entre as populações e a Ria.

A Fuzeta na Ria Formosa

É neste extraordinário enquadramento que se encontra a Fuzeta, comunidade profundamente ligada ao mar, à pesca e à Ria Formosa.

A sua localização permite usufruir de uma paisagem singular, onde se encontram o oceano, a laguna, as ilhas-barreira, as praias e os sapais.

A relação da Fuzeta com a Ria não é apenas geográfica: faz parte da sua história, da sua cultura e da sua identidade.

A proximidade deste património natural proporciona aos residentes e visitantes a oportunidade de conhecer um dos ambientes mais singulares e valiosos do litoral algarvio.

Um património a preservar

A Ria Formosa é muito mais do que uma paisagem de extraordinária beleza.

É um ecossistema de elevada importância ecológica, uma zona húmida de importância internacional, um espaço de reprodução e alimentação de numerosas espécies, um território de atividades tradicionais e um património histórico e cultural construído ao longo de séculos.

Preservar a Ria Formosa significa proteger a sua biodiversidade e os seus habitats, mas também valorizar as comunidades, as atividades tradicionais e o património cultural que fazem parte da sua identidade.

Conhecer a Ria Formosa é também aprender a respeitá-la e a preservá-la para as gerações futuras.

A Fuzeta e a Ria Formosa

Vista aérea da Fuseta a partir da ria: casario branco junto ao porto, bancos de areia e água turquesa em primeiro plano, serra ao fundo.

A história da Fuzeta está profundamente ligada ao mar e à Ria Formosa. A sua origem encontra-se associada a um antigo arraial de mareantes, refletindo desde cedo a importância da pesca e das atividades marítimas na formação da comunidade.

Ao longo dos séculos, a Ria proporcionou às populações locais alimento, trabalho e abrigo, moldando uma forma de vida estreitamente dependente do ritmo das marés e dos recursos do mar. A pesca, a mariscagem e outras atividades ligadas à laguna contribuíram para construir uma identidade que ainda hoje permanece viva.

Entre os testemunhos dessa importância encontra-se a antiga armação do Livramento, na Fuzeta, uma das armações de pesca de atum e sardinha que existiram na Ria Formosa. Estas estruturas tiveram um papel relevante na economia algarvia, particularmente entre os séculos XVI e XX, e deixaram uma marca profunda na história das comunidades piscatórias.

A relação da Fuzeta com a Ria Formosa, porém, ultrapassa a dimensão económica. Está presente na paisagem, nas tradições, na gastronomia, na memória coletiva e na própria identidade da comunidade.

Hoje, a Fuzeta continua a viver de frente para a Ria e para o mar, num território onde a natureza e a presença humana se encontram. A proximidade das águas lagunares, das ilhas-barreira, das praias e dos sapais confere à localidade uma paisagem singular e uma forte identidade marítima.

Na Fuzeta, a Ria Formosa não é apenas parte da paisagem: é parte da nossa história e daquilo que somos.

Ria Formosa: um património que nos une

Natureza. Mar. História. Cultura. Comunidade.

A Ria Formosa faz parte da identidade da Fuzeta e constitui um património natural e cultural que importa conhecer, valorizar e preservar.

Descubra a Fuzeta. Descubra a Ria Formosa.